terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Homenagem à Adê

E hoje, neste finalzinho de ano, gostaria de fazer uma homenagem à esta mulher, que se tornou símbolo na luta contra a violência obstétrica no Brasil.

No dia 1º de abril deste ano (parece mentira, mas não é), Adelir Guimarães Lovari foi obrigada pela justiça a realizar uma cirurgia cesariana contra sua vontade. O porquê disto? A "médica" que a atendeu considerou que o bebê estava em risco, por estar pélvico. Adelir desejava um parto normal, mesmo porque, seu médico já havia lhe alertado que, devidos às cesarianas prévias, uma nova cirurgia seria de risco. Ela estava bem informada, tinha o acompanhamento de uma doula, e procuraria o hospital da cidade vizinha, onde o parto normal pélvico era realizado sem problemas. Não havia irresponsabilidade nem risco, nem para ela nem para o bebê, havia sim uma mulher bem informada e segura.

Mas este direito lhe foi tirado, pela incompetência e preconceito de uma médica e do juiz que emitiu o mandado para que Adelir fosse obrigada a realizar a cirurgia. Ela foi retirada de casa pela polícia, seu marido foi ameaçado. E isso porque? Na verdade, sabemos o porque: a médica não suportou perceber que uma cigana (sim, com muito orgulho, Adelir é casada com um cigano, Emerson, e fez da cultura sua vida, cria seus filhos respeitando suas tradições, com amor a união que pouco se vê entre muitas pessoas, como vemos no povo cigano), que essa cigana estava muito mais bem informada do que ela!

Como ela ousava discordar da "doutora", tão estudada, que aprendeu em um sistema falido, onde só se ensina para os novos médicos a fazerem cesarianas, pois acompanhar um parto normal é perda de tempo e dinheiro. Como ela era capaz disso, mostrar que sabia mais que a médica?

Não sou contra os médicos, muito pelo contrário. Sou contra o que o sistema tem feito no Brasil, bitolado os médicos para que visem somente o lucro. Não se ensina nas faculdades as vantagens do parto normal, e como acompanhar um. Bitolamos novos médicos. Poucos são os que saem desta matrix, e mostram que pode ser diferentes. E estes são perseguidos, chamados de loucos. 

Espero, sinceramente, que o número de médicos loucos, como Melânia Amorim, Carla Polido, Jorge Khun, Ricardo Jones, Bráulio Zorzella, e tantos outros, aumente significativamente. Que as mentes se abram, para que jamais novamente uma muher seja arrancada pela polícia de sua casa, ameaçada, simplesmente por lutar pelo seu direito de parir!!!

Feliz 2015!!




6 comentários:

  1. Me emocionei muito! obrigada demais,é isso mesmo, que nenhuma mãe passe por um constrangimento assim, NUNCA MAIS!

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  2. Somos todxs Adelir! #aLutaSegue #UmPartoPorVez

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  3. O seu blog é muito fofinho!

    Olá! Você foi escolhida por ter um blog muito lindo e fofinho
    retribua a gentileza clicando aqui: http://juliana-editions.blogspot.com.br/ (siga e comente):

    Espero que gostem dos selinhos, meninas e sigam as regras ao repassar.

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